Câmara Ardente
Ossa Mea, III
Quero crer, olhos meus em penitência,
Que na mágoa da eterna despedida
Vos terei transformadas na áurea essência
De dois astros de luz amortecida...
Invocareis então a alta Clemência
De Deus para a minha Alma dolorida,
No instante em que eu, sublime de inocência,
Murmurar-vos assim, deixando a vida:
Olhos de olhar o mundo contristados,
Eis-nos agora além, nesse mistério
De epitalâmios e de astrais noivados...
Vede bem que estes restos foram vossos:
Iluminai, com resplendor funéreo,
Em noite longa, a cinza dos meus ossos...