Câmara Ardente
Ossa Mea, VI
Ah! tantas ilusões, para as perdermos,
E os sonhos onde iremos enterrá-los!
E sempre o luar na solidão sem termos,
E estes corpos a encher covas e valos...
Vamos rezar além, naqueles ermos.
Quem poderá sofrer tantos abalos!
Os pobres corações estão enfermos,
E o consolo de Deus deve salvá-los.
Tomba de joelhos, tu que não soubeste
Gozar a paz que veio sobre as ondas
Da tua Alma ao clarão da noite agreste...
Noivo da Morte em branca primavera,
Se acaso tens um leito onde te escondas,
Aperta a mão piedosa que te espera...