Pastoral aos Crentes do Amor e da Morte
XIX
Hão de chorar por ela os cinamomos
Hão de chorar por ela os cinamomos,
Murchando as flores ao tombar do dia.
Dos laranjais hão de cair os pomos,
Lembrando-se daquela que os colhia.
As estrelas dirão: — Ai! nada somos,
Pois ela se morreu, fulgente e fria...
E pondo os olhos nela como pomos,
Hão de chorar a irman que lhes sorria.
A lua, que lhe foi mãe carinhosa,
Que a viu nascer e amar, há de envolvê-la
Entre lírios e pétalas de rosa.
Os meus sonhos de amor serão defuntos...
E os arcanjos dirão no azul, ao vê-la,
Pensando em mim: — Porque não vieram juntos?