Pastoral aos Crentes do Amor e da Morte
IV
Olhos
Olhos sublimes, sombras chinesas,
Sob a arcaria das sobrancelhas...
Solar magnífico, onde princesas
Passam de túnicas vermelhas...
Olhos de poente, luares remotos
Por entre torres inacessíveis...
Rosas e lírios, goivos e lotos,
Roxas violetas impassíveis...
Olhos viúvos, santos, blasfemos,
Ladainha dos Sete Pecados...
Nuvens doiradas de crisantemos,
Sonhos de místicos noivados...
Olhos pungentes, que chorais tanto,
Dias de luto, noites em calma...
Instrumentados por algum Santo
Para o responso da minh'alma...
Olhos profundos, florindo juntos,
Cheios do sangue dos sacrifícios...
Eças armadas para defuntos,
Dobres dos últimos ofícios...
Olhos, olhares evocadores
De espectros mudos de altivo porte...
Fechai a campa dos meus amores,
Oficiantes da minha morte!