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Lira dos Vinte Anos

Cismar

Falla-me, anjo de luz! és glorioso
A' minha vista na janella á noite,
Como divino alado mensageiro
Ao ebrioso olhar dos frouxos olhos
Do homem que se ajoelha para vêl-o
Quando resvala em preguiçosas nuvens
Ou navega no seio do ar da noite. (Romeo)
Ai! quando de noite, sozinha à janela,
Co'a face na mão eu te vejo ao luar,
Porque, suspirando, tu sonhas, donzela?
À noite vai bela,
E a vista desmaia
Ao longe na praia
Do mar!
Por quem essa lágrima orvalha-te os dedos,
Como água da chuva a cheiroso jasmim?
Na cisma que anjinho te conta segredos?
Que pálidos medos?
Suave morena,
Acaso tens pena
De mim?
Donzela sombria, na brisa não sentes
A dor que um suspiro em meus lábios tremeu?
E a noite, que inspira no seio dos entes
Os sonhos ardentes,
Não diz-te que a voz
Que fala-te a sós
Sou eu?
Acorda! não durmas da cisma no véu!
Amemos, vivamos, que amor é sonhar!
Um beijo, donzela! Não ouves? no céu
A brisa gemeu....
As vagas murmuram...
As folhas sussurram:
Amar!

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