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Lira dos Vinte Anos

Soneto (Já da morte o palor me cobre o rosto)

Já da morte o palor me cobre o rosto
Nos lábios meus o alento desfalece,
Surda agonia o coração fenice,
E devora meu ser mortal desgosto!
Do leito embalde no macio encosto
Tento o sono reter!... já esmorece
O corpo exausto que o repouso esquece...
Eis o estado em que a mágoa me tem posto!
O adeus, o teu adeus, minha saudade,
Fasem que insano do viver me prive
E tenha os olhos meus na escuridade.
Dá-me a esperança com que o ser mantive!
Volve ao amante os olhos por piedade,
Olhos por quem viveu quem já não vive!

Sobre esta edição