Sonetos Completos
Comunhão
Ao snr. João Lobo de Moura
Reprimirei meu pranto!... Considera
Quantos, minh'alma, antes de nós vagaram,
Quantos as mãos incertas levantaram
Sob este mesmo céu de luz austera!...
—Luz morta! amarga a própria primavera!—
Mas seus pacientes corações lutaram,
Crentes só por instinto, e se apoiaram
Na obscura e heroica fé, que os retempera...
E sou eu mais do que eles? igual fado
Me prende à lei de ignotas multidões.—
Seguirei meu caminho confiado,
Entre esses vultos mudos, mas amigos,
Na humilde fé de obscuras gerações,
Na comunhão dos nossos pais antigos.