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As Primaveras

Bálsamo

Eu vi-a lacrimosa sobre as pedras
Rojar-se essa mulher que a dor ferira!
A morte lhe roubara d'um só golpe
Marido e filho, encaneceu-lhe a fronte,
E deixou-a sozinha e desgrenhada
— Estátua da aflição aos pés d'um túmulo! —
O esquálido coveiro p'ra dois corpos
Ergueu a mesma enxada, e n'essa noite
A mesma cova os teve!
E a mãe chorava,
E mais alto que o choro erguia as vozes!
No entanto o sacerdote — fronte branca
Pelo gelo dos anos — a seu lado
Tentava consolá-la.
A mãe aflita
Sublime d'esse belo desespero
As vozes não lhe ouvia; a dor suprema
Toldava-lhe a razão no duro transe.
«Oh! padre! — disse a pobre s'estorcendo
Co'a voz cortada dos soluços d'alma —
«Onde o bálsamo, as falas d'esperança,
«O alívio à minha dor?!»
Grave e solene,
O padre não falou — mostrou-lhe o céu!
Rio — 1858.

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