Ir para o texto
Biblioteca

As Primaveras · Livro negro

VI.

Última folha

Meu Deus! Meu Pai! Se o filho da desgraça
Tem jus um dia ao galardão remoto,
Ouve estas preces e me cumpre o voto
— A mim que bebo do absinto a taça!
— «Feliz serás se como eu sofreres,
«Dar-te-ei o céu em recompensa ao pranto» —
Vós o disseste — E eu padeço tanto!..
Que novos transes preparar-me queres?
Tudo me roubam meus cruéis tiranos:
Amor, família, felicidade, tudo!...
Palmas da glória, meus lauréis do estudo,
Fogo do gênio, aspiração dos anos!...
Mas o teu filho já se não rebela
Por tal castigo, pelas mágoas duras;
— Minh'alma ofreço às provações futuras.
Venha o martírio... mas — perdão p'ra ela!...
A doce virgem se assemelha às flores.
O vento a quebra no seu verde ninho.
— Velai ao menos pelo pobre anjinho,
— Pagai-lhe em gozo o que me dais em dores!
Maio — 6.

Sobre esta edição