Ir para o texto
Biblioteca

Broquéis

Serpente de cabelos

A tua trança negra e desmanchada
Por sobre o corpo nu, torso inteiriço,
Claro, radiante de esplendor e viço,
Ah! lembra a noite de astros apagada.
Luxúria deslumbrante e aveludada
Através desse mármore maciço
Da carne, o meu olhar n'ela espreguiço
Felinamente, nessa trança ondeada.
E fico absorto, n'um torpor de coma,
Na sensação narcótica do aroma,
D'entre a vertigem túrbida dos zelos.
És a origem do Mal, és a nervosa
Serpente tentadora e tenebrosa,
Tenebrosa serpente de cabelos!...

Sobre esta edição