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Últimos Sonetos

A harpa

Prende, arrebata, enleva, atrai, consola,
A harpa tangida por convulsos dedos;
Vivem n'ela mistérios e segredos,
É berceuse, é balada, é barcarola.
Harmonia nervosa que desola,
Vento noturno d'entre os arvoredos
A erguer fantasmas e secretos medos;
Nas suas cordas um soluço rola...
Tu'alma é como esta harpa peregrina,
Que tem sabor de música divina
E só pelos eleitos é tangida.
Harpa dos céus que pelos céus murmura
E que enche os céus da música mais pura,
Como de uma saudade indefinida.

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