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Últimos Sonetos

Eternos atalaias

Os sentimentos servem de atalaias
Para guiar as multidões errantes
Que caminham tremendo, vacilantes
Pelas desertas, infinitas praias...
Abrangendo da Terra as fundas raias,
Atingindo as esferas mais distantes,
São como incensos, mirras odorantes,
Miraculosas, fúlgidas alfaias.
Tudo em que tocam logo transfiguram,
Encantam tudo, tudo em torno apuram,
Penetram, sem cessar, por toda a parte.
Alma por alma em toda a parte inflamam
E grandes, largos, imortais, derramam
As melancólicas estrelas d'Arte!

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