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Últimos Sonetos

Flor nirvanizada

Ó cegos corações, surdos ouvidos,
Bocas inúteis, sem clamor, fechadas,
Almas para os mistérios apagadas,
Sem segredos, sem eco e sem gemidos;
Consciências hirsutas, de bandidos,
Vesgas, nefandas e desmanteladas,
Portas de ferro, com furor trancadas,
Dos ócios maus histéricos Vencidos.
Desenterrai-vos das sangrentas furnas
Sinistras, cabalísticas, noturnas,
Onde ruge o Pecado caudaloso...
Fazei da Dor, do triste Gozo humano,
A Flor do Sentimento soberano,
A Flor nirvanizada de outro Gozo!

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