Mármores
A Noite
A Wenceslau de Queiroz
Um vento fresco e suave entre os pinhais murmura.
A Noite, aos ombros solta a desgrenhada coma,
No seu plaustro de crepe, entre as nuvens assoma...
Tornam-se o campo e o céu de uma cor mais escura.
Um novo aspecto em tudo. Um novo e bom aroma
De látiros exala a amplíssima verdura.
Num hausto longo, a Noite, aos ares a frescura
Doce, entreabrindo a flor dos negros lábios, toma...
Por vales e rechãs caminha, passo a passo,
Atento o ouvido, à escuta... E no seu plaustro enorme,
Cujo rumor desperta a placidez do espaço,
À encantada região das estrelas se eleva...
E, ao ver que dorme o espaço e o mundo inteiro dorme,
Volve, quieta, de novo, à habitação da treva...