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Mármores

A um poeta

Poeta, quando te leio, a angústia dolorida
Que te mina a existência e que em teu peito impera,
Faz-me também sofrer, d'alma se me apodera,
Como se da minh'alma ela fosse nascida.
Sinto o que sentes: ora a lágrima sincera
Que foi pela saudade ou pelo amor vertida,
Ora a mágoa que habita em tua alma, — guarida
Onde a negra legião das mágoas se aglomera.
Não há nos versos teus um sentimento alheio
A esse teu coração macerado de fráguas;
Há neles ora o suave e módulo gorjeio
Das aves, ora a queixa harmônica das águas...
Leio os teus versos; e, em minh'alma, quando os leio,
Vai gemendo, em surdina, a música das mágoas...

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