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Mármores

Balada

“Eu vou partir. A noite já desmaia.
Parto; por isso, cândida princesa,
Venho beijar as mãos à Vossa Alteza...
Botes e naus esperam-me na praia.
Tenho, decerto, de sofrer azares,
Dores sofrer; mas hei de, com denodo,
Pugnas vencer e conquistar de todo
Terras estranhas e remotos mares...
Não sei se morrerei; mas se, princesa,
Através de procelas e de escolhos,
A negra morte me fechar os olhos,
Eu morrerei pensando em Vossa Alteza.
Mas, forçoso é partir; adeus, senhora...”
“Conde, adeus...” murmurou, baixando a fronte.
A noite desmaiava. No horizonte
Já se movia o séquito da aurora.
E ela, a princesa, imersa num letargo,
Ficou olhando a vastidão do oceano.
Rompeu, enfim, o sol. E, a todo o pano,
A aventureira nau se fez ao largo...

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