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Protesto

Imitação de uma poesia Javaneza.

Ainda quando os homens te odiassem,
E anath'ma contra ti gritasse o mundo,
Por ti sentira amor, te amara sempre,
Te amara eternamente.
Este afeto jamais há de alterar-se;
Embora gêmeos soes ardam no espaço,
Ou gêmeas noites, em cegueira eterna,
Me roubem o prazer de ver teus olhos.
Entranha-te na terra, hei de afundar-me;
Passa ao través do fogo, irei contigo;
Aos céus remonta, hei de seguir-te sempre,
Ver-me-ás sempre a teu lado.
De ti não pode a força desprender-me,
Nem separar-me o fado. Em ti só vivo;
E quem dos dias teus souber o termo,
Que a vida me deixou também conheça.
Quando nas asas da esperança corro,
Onde me acenas, onde amor me aguarda,
Parece-me que voo aos ledos campos,
Onde a esperança mora.
Não há que possa comparar-se aos êxtasis,
Que tanto ao vivo meu amor revelam;
Um gesto, um som dos lábios teus mimosos
Mil vezes na minha alma se repete.
Quer irritada contra mim te mostres,
Quer do teu seio irosa me repilas,
Teu rosto na minha alma se retrata,
E eu te amo sempre!
Quer durma, quer descanse, ou vele ou sofra,
Em tudo quanto sinto, em quanto vejo,
Risonha tua imagem me aparece,
E eu julgo sempre que te falo e escuto.
Seja eu longe da pátria infindas léguas,
A distância de um mundo entre nós corra,
Enquanto além divago, preso fica
Meu coração contigo.
Se pois souberes que os meus dias findam,
Não creias que o destino inexorável
Mos corta — antes me tem, antes me julga
Morto por ti de amores!

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