Clã do Jabuti
Coco do Major
A Antônio Bento de Araújo Lima
O major Venâncio da Silva
Guarda as filhas com olho e ferrolho,
Que vidinha mais caningada
— seu mano —
Elas levam no engenho do velho!
Nem bem a arraiada sonora
Vem tangendo as juremas da estrada
Já as três se botam na renda
— seu mano —
Trequetreque de bilros, mais nada.
Vai, um mocetão paroara
Destorcido porém sem cabeça
Apostou num coco da praia
— seu mano —
Que daria uma espiada nas moças
Pois a fala do lambanceiro
Foi parar direitinho no ouvido
Do major Venâncio da Silva
— seu mano —
Que afinal nem se deu por achado.
Bate alguém na sede do engenho.
— Seu major, ando morto de sede,
Por favor me dê um copo de água...
— seu mano —
— Pois não, moço! Se apeie da égua.
Dois negrões agarram o afoito,
O major assobia pra dentro.
Vêm três moças lindas chorando
— seu mano —
Com quartinhas de barro cinzento.
— Esta é minha filha mais velha,
Beba, moço, que essa água é de sanga.
E os negrões obrigam o pobre
— seu mano —
A engulir a primeira moringa.
— Esta é minha filha do meio,
Beba, moço, que essa água é do corgo.
E os negrões obrigam o pobre
— seu mano —
A engulir a moringa, já vesgo.
— Esta é minha filha mais nova,
Beba, moço, que essa água é de corgo.
E os negrões afogam o pobre
— seu mano —
Que adubou os faxeiros do monte.
O major Venâncio da Silva
Tem as filhas mais lindas do norte
Mas ninguém não viu as meninas
— seu mano —
Que ele as guarda com água de pote.