Livro Azul
O grifo da morte II
Retorno sempre
A cada volta do caminho
À lagoa imóvel.
Superfície juncada
De mãos-postas negras
Que afundam sempre.
Meus olhos são moscas,
Única vida grave
Esparsa no silêncio.
O silêncio avança
Que nem um navio,
Não penso, estremeço.
Tremor sem razão
Que termina em meio
Nem bem principia.
A boca desdenha
As palavras ásperas,
Evitando a vida.
Mas... dor, periquito,
Novamente rufa
Da serrapilheira,
Sobe no alto no alto,
Vai dormir nas casas
Além da floresta.