Livro Azul
O grifo da morte IV
Quando o rio Madeira
Fica inavegável,
A corredeira clara
Junto ao trem-de-ferro
Vai rasa entre as pedras
Da margem deserta,
Suspensa no charco
Imenso da morte.
A claridade vasta
Guasca Mato Grosso,
Filtrada da nuvem
Que de tão exausta
Se apoia na crista
De espuma do rio.
O calor mais branco
Esturrica as pedras
E tange o Grão Chaco
Pros altos dos Andes,
Onde as almas planam
Sem fecundidade,
Na terra sem mal,
Sem fecundidade.