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Losango Cáqui

De nada vale inteligência

De nada vale inteligência.
Tempo perdido odiar os que devia odiar.
Saudei-o muito sorrindo.
Amor cantou por minha continência...
Ele no entanto foi mesquinho.
Na Semana de Arte Moderna teve um número de programa que quase ninguém viu:
“A REVELAÇÃO DOS TAMANDUÁS”.
Saudei-o muito sorrindo..
E nem é influência do clima.
Está quente.
Vai chover.
Nuvens danadas.
E cansaço faz calor dentro de mim.
Saudei-o muito sorrindo...
Meu Deus, perdoai-me!
Creio bem que amo os homens por amor dos homens!
Não escreveria mais “Ode ao Burguês”
Nem muitos outros versos de “Pauliceia Desvairada”.
Tenho todo um Mappa-mundi de estados-de-alma.
“Pauliceia”, passagem do Equador...
Fazia frio no Parnasianismo...
Ara! pra quê voltar nas paisagens de dantes!
Dez quilômetros...
Quatro quilômetros...
Treze quilômetros...
O trem continua rápido.
Para em cada estação.
Me penteio no espelho.
— Você mudou bastante.
— Estou mais forte.
NO ENTANTO ERA UM DESCONHECIDO.
Desço.
Mas o sargento apita.
Aviso.
Torna a apitar.
Subo de novo.
Trem em marcha...
Onde irá dar a mobilização da vida!

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