Sobre esta edição
Publicação. Pauliceia Desvairada (1922)
Ortografia. Atualizada (fonte: Paulicea Desvairada, São Paulo, Casa Mayença, 1922)
Forma. Oratório profano em verso livre (vozes corais e solos)
Notas sobre o texto.
Segue-se prosa de apresentação (distribuição das vozes, acompanhamento de orquestra e banda, local de execução e prelúdio), omitida por não ser verso.
(a orquestra num crescendo cromático de contrabaixos anuncia...)
(a orquestra súbito emudece, depois duma grande gargalhada de timbales)
(grandes glissandos de harpas)
(notas longas de trompas)
(harpas, trompas, orgão)
(1) Aqui o leitor, si for partidário dos Orientalismos, porá nomes de escritores paulistas que aprecia, si das Juvenilidades, os que detesta. Exemplo com meu próprio nome: E as mariocidades. Não existe esse sufixo: quero assim para bater milhor o ritmo.
(A maior palavra feia que o leitor conhecer.)
Silêncio. Os Orientalismos Convencionais, bem como as Senectudes Tremulinas e os Sandapilários Indiferentes fugiram e esconderam-se, tapando os ouvidos à grande, à máxima Verdade. A orquestra evaporou-se, espavorida. Os maestri succumbiram. Caiu a noite, aliás; e na solidão da noite das mil estrêlas as Juvenilidades Auriverdes, tombadas no solo, chorando, chorando o arrependimento do tresvario final.
(quase a sorrir, dormindo)
(As Juvenilidades Auriverdes e Minha Loucura adormecem eternamente surdos; enquanto das janelas de palácios, teatros, tipografias, hoteis — escancaradas, mas cegas — cresce uma enorme váia de assovios, zurros, patadas.)
FIM. Laus Deo!