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Pauliceia Desvairada

Religião

Deus! creio em Ti! Creio na tua Bíblia!
Não que a explicasse eu mesmo,
porque a recebi das mãos dos que viveram as iluminações!
Catolicismo! sem pinturas de Calixto!... As humildades!...
No poço das minhas erronias
vi que reluzia a Lua dos teu perdoares!...
Rio-me dos Luteros parasitais
e dos orgulhos soezes que não sabem ser orgulhos da Verdade;
e os mações, que são pecados vivos,
e que nem sabem ser Pecado!
Oh! minhas culpas e meus tresvários!
E as nobilitações dos meus arrependimentos
chovendo para a fecundação das Palestinas!
Confessar!...
Noturno em sangue do Jardim das Oliveiras!...
Naves de Santa Ifigênia,
os meus joelhos criaram escudos de defesa contra vós!
Cantai como me arrastei por vós!
Dizei como me debrucei sobre vós!
Mas dos longínquos veio o Redentor!
E no poço sem fundo das minhas erronias
vi que reluzia a Lua dos seus perdoares!...
«Santa Maria, mãe de Deus...»
A minha mãe-da-terra é toda os meus entusiasmos:
dar-lhe-ia os meus dinheiros e minhas mãos também!
Santa Maria dos olhos verdes, verdes,
venho depositar aos vossos pés verdes
a coroa de luz da minha loucura!
Alcançai para mim
a Hospedaria dos Jamais Iluminados!

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