Alma Inquieta
Campo santo
Os anos matam e dizimam tanto
Como as inundações e como as pestes...
A alma de cada velho é um Campo Santo,
Que a velhice cobriu de cruzes e ciprestes
Orvalhados de pranto.
Mas as almas não morrem como as flores,
Como os homens, os pássaros e as feras:
Rotas, despedaçadas pelas dores,
Renascem para o sol de novas primaveras
E de novos amores.
Assim, às vezes, na amplidão silente,
No sono fundo, na terrível calma
Do Campo Santo, ouve-se um grito ardente
E a Saudade! é a Saudade!... E o cemitério da alma
Acorda de repente.
Uivam os ventos funerais, medonhos...
Brilha o luar... As lápides se agitam...
E, sob a rama dos chorões tristonhos,
Sonhos mortos de amor despertam e palpitam,
Cadáveres de sonhos.