Sinfonias
A avó
A Hugo Leal
Este infante de olhar e faces inocentes
Me repele, e por que, quando me achego dele?
Quando com as mãos sem força, engelhadas, trementes,
O afago, por que chora e por que me repele?!
A velhice tornou meu semblante tão feio,
Que às crianças que beijo, ameigo e acaricio
Já não inspiro amor, só inspiro receio?!
Meu riso é hoje acaso um momo tão sombrio,
Que este infante que embalo, este que de mim veio,
Que é meu neto, este até, chora quando me rio?!
E, como ele, contudo, eu sou fraca, e, como ele,
Eu não tenho também nem cabelos, nem dentes...
Ai! quando o vou beijar, por que é que me repele
Este infante de olhar e faces inocentes?!