Sinfonias
Beijo póstumo
Do meu primeiro amor és o templo em ruína.
No estômago da morte atro e voraginoso
Essa carne ideal, deliciosa e fina
Caiu como um manjar fino e delicioso!
Teu corpo decompõe-se; e, a supurar em flores,
Com funéreo pudor, os teus membros inermes
Hoje são a vivenda e o pábulo dos vermes
Asquerosos, cruéis, frios e roedores...
E o beijo que eu pedi-te e que nunca me deste,
Que em vida quis colher-te e nunca foi colhido,
Cai de teu lábio como um fruto apodrecido...
Ó beijo virginal! fruto que apodreceste!