Sinfonias
O anoitecer
A Adelino Fontoura
Vê: esbraseia o Ocaso na agonia
O sol; aves em bandos destacados
Por céus de ouro e de púrpura raiados
Fogem... fecha-se a pálpebra do dia...
Delineiam-se além da serrania
Os vértices de chama aureolados
E em tudo em torno esbatem derramados
Uns tons suaves de melancolia...
Um mundo de vapores no ar flutua;
Como uma informe nódoa, avulta e cresce
A sombra proporção que a luz recua...
A natureza apática esmaece...
Pouco a pouco entre as árvores a lua
Surge trêmula, trêmula... Anoitece!