Ir para o texto
Biblioteca

Versos e Versões

Ária noturna

Da janela, onde, olhando para fora,
Bebes da noite o incenso em longos tragos,
Claro escorre o luar.. Em sonhos vagos,
Atrás da sombra espreita, rindo, a aurora.
Longe uns dolentes, músicos afagos,
Sentes?... Não é o rouxinol, que chora
Nas balsas, nem o vento que desflora
A toalha friíssima dos lagos...
É ele, e vaga toda a noite, enquanto
O luar macilento e o campo flóreo
Tressuam mole e pérfido quebranto;
Não lhe ouças, filha, o canto merencório;
Fecha a janela e foge, que esse canto
Vem da guitarra de D. Juan Tenorio.
Maio, 84.

Sobre esta edição