Ir para o texto
Biblioteca

Versos e Versões

Chuva e sol

Agrada à vista e à fantasia agrada
Ver-te, através do prisma dos diamantes
Da chuva, assim ferida e atravessada
Do sol pelos venábulos radiantes.
Vais e molhas-te embora os pés levantes;
—Par de pombos, que a ponta delicada
Dos bicos metem n'água e, doidejantes,
Bebem nos regos cheios da calçada.
Vais, e apesar do guarda-chuva aberto,
Borrifando-te, colmam-te as goteiras
De pérolas o manto mal coberto;
E estrelas mil cravejam-te, fagueiras,
Estrelas falsas, mas que, assim de perto,
Rutilam tanto, como as verdadeiras.
Junho, 84.

Sobre esta edição