Versos e Versões
O monge
«O coração da infância, eu lhe dizia,
É manso.» E ele me disse: «Essas estradas,
Quando, novo Eliseu, as percorria,
As crianças lançavam-me pedradas.»
Falei-lhe então na glória e na alegria;
E ele, de barbas brancas derramadas
No burel negro, o olhar somente erguia,
Às cérulas regiões ilimitadas...
Quando eu, porém, falei no amor, um riso
Súbito as faces do impassível monge
Iluminou.. Era o vislumbre incerto,
Era a luz de um crepúsculo indeciso
Entre os clarões de um sol, que já vai longe,
E as sombras de uma noite, que vem perto!...
Setembro, 84.