Luz Mediterrânea
Melancolia
Poente!
Estas horas que estão passando, surdamente,
Nunca mais voltarão no tempo imaginário:
No jardim solitário,
Estão-se desfolhando, ingloriamente,
Tantas rosas divinas, a sonhar;
Rosas que poderiam debruar
Leitos de fadas, em guirlandas luminosas,
Emoldurar cabeças de poetas
E que jamais florescerão ante os meus olhos...
Por que, então,
Deixá-las, numa morte inútil e secreta
Esfolharem-se, assim, anônimas e virgens,
Na sombra do jardim
Sobre a tarde serena?!...
Ah! se eu fosse colhê-las para mim!...
Não vale a pena!
* * *
Poente!
Estas horas que estão passando surdamente
Nunca mais voltarão no tempo imaginário!
Na sombra do meu ser profundo e solitário
Tantas ideias límpidas, bailando,
Estão dizendo cousas infinitas...
Ideias que seriam minha história,
Minha imortalidade, minha glória,
E que por certo eu nunca mais encontrarei...
Por que, então,
Vê-las morrer, assim, sem voz, sem serem ditas?!...
Ah! se eu as animasse em palavras, eternas,
De uma vida magnífica e serena!...
Não vale a pena!