Poemas e Canções
Arrufos, II
Ofendi-te... E, depois, vejo-te humildemente
Chorar,
Turvo, turvo de pranto, esse resplandecente
Olhar.
Eis-me vingado, pois, bem vingado, de quanto
Sofri
Do teu suave amor, do meu suave encanto
Por ti.
Brutal, apunhalei-te a golpes de ironias
Brutais,
Eu, que te quero tanto, a ti, que me querias
Demais.
Há pouco, para mim, doudo eu de amor, tu, douda
De amor,
Sorria em tua boca em flor tu'alma toda
Em flor;
Desfolhei esse teu lindo sorriso que era
Assim
— Mais ainda que em ti — como uma primavera
Em mim.
E fiz todo esse mal que com algumas frases
Te fiz
Só porque te amo... Não: só porque tu me fazes
Feliz.
Fui comigo também, mais que contigo ainda,
Feroz:
Vendo-te assim chorar, tenho uma pena infinda
De nós:
Provoquei esse pranto humilde e resignado;
Depois,
Por fazer-te infeliz, sou o mais desgraçado
Dos dois.
Sorris?... Vais perdoar? Mas, ó tu que és tão boa,
O meu
Crime de te magoar, alguém o não perdoa:
Sou eu.