Meridionais
O interior da câmara
Ontem, passando junto à sua porta,
Quis vê-la e, taciturno acompanhando
Alguém, no quarto entrei onde ela estava,
Onde o clarão da lâmpada beijava,
Entre os níveos lençóis, seu rosto brando.
A mesma costumada singeleza
Notei em tudo que outra vez fitara,
Quando, naquela câmara elegante
Entrando, vi-a pálida, ofegante,
Aos mornos raios de uma tarde clara;
Aberto sobre a mesa o mesmo livro;
Jarras com flores, rosas em grinaldas
No toucador, — o espelho refletindo,
Como um fundo de luz, côncavo e lindo,
Seu diadema e seu broche de esmeraldas.
Junto ao leito, suspenso o mesmo quadro
De uma serena e lívida gravura...
Nada alterara o toque delicado,
Leve e sutil, àquelas cousas dado
Por sua mão assetinada e pura.
E, atentando em tudo o que ali via,
Ninguém, acaso estacionando à porta,
Diria, o olhar lançando contristado
Sob o flóreo dossel do cortinado,
Que aquela criatura estava morta.