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Sonetos e Poemas

XV

A estátua

A Generino dos Santos
Às mãos o escopro, olhando o mármor: « Quero
— O estatuário disse — uma por uma
As perfeições que têm as formas de Hero
Talhar em pedra, que o ideal resuma. »
E rasga o Paros. Em divino esmero
Eis se arredonda a fronte em nívea espuma;
Eis ressalta o nariz de um talho austero;
Alça-se o colo, o seio se avoluma;
Alargam-se as espáduas; veia a veia
Mostram-se os braços... Cede a pedra ainda
A um golpe: e o ventre nítido se arqueia.
A curva, enfim, das pernas se acentua...
E ei-la acabada a estátua, heroica e linda,
Cópia divina da beleza nua.

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