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Sonetos e Poemas

XIV

Paraíso vedado

Guarda-lhe a porta à câmara esquisita
Um anjo; e, se ela dorme, esse anjo espreita
Em roda, e ao punho o alfange de ouro estreita;
E, se ela treme, o alfange de ouro agita.
Não há transpor essa mansão bendita!
Pés profanos lá dentro quem suspeita?
Vela a guarda, de pé; na mão direita
Arde o ferro luzente que exercita.
Em paz, desejo meu, que ardente estuas!
De seus límpidos pés o arminho brando
Nem te é dado roçar com as asas tuas!
Olha-a apenas da porta... e a sombra escassa
D'essa arma inveja, fulgurante, quando
Móbil projeta-a, e ela em seu rosto passa.

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