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Sonetos e Poemas

IV

A ponte vermelha

Um passo além d'aquele campo há um velho
Bosque: é de um lado a ponte. Entre as cantigas
Da água, o rio, debaixo, as grossas vigas
Traz refletidas no soturno espelho.
Arcos iguais de sólido aparelho,
Curvos, como do tempo com as fadigas,
Com a larga oval e as resistentes ligas
Olhais formam pintados de vermelho.
E a água, à tarde, espumando em bolhas, toda
Na luz tinta e na cor que tem por cima,
A correr, a correr, fulgura e roda.
E a muda ponte espia ao longe, espia
Quem vem, que cavaleiro se aproxima
Para transpô-la no final do dia.

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