Sonetos e Poemas
V
A janela e o sol
A Antonio Nogueira
— « Deixa-me entrar, — dizia o sol — Suspende
A cortina, soabre-te! Preciso
O Íris trêmulo ver que o Sonho acende
Em seu dormido virginal sorriso.
Dá-me uma fresta só do Paraíso
Vedado, se o ser n'ele inteiro ofende...
E eu, como o eunuco, extático, indeciso,
Ver-lhe-ei o rosto que na sombra esplende. »
E, fechando-se mais, zelosa e firme,
Respondia a janela: « Ah! que estouvado!
Eu deixar-te passar! eu néscia abrir-me!
E essa que dorme, sol, que não diria
Ao ver-te o olhar por trás do cortinado,
E ao ver-se a um tempo desnudada e fria?! — »