Sonetos e Poemas
XI
Galateia
A S. Sebrão
Foi, rompendo o mirtal de verde manto,
— Morria a tarde, além, tonitruosa,
Bóreas soprava — que uma voz maviosa
Feriu-lhe o ouvido, em prolongado encanto.
Dizia a voz: — « Ó deusa, ó cobiçosa
Alva espádua do mármore mais santo,
Não seres minha!... » E era mais doce o canto,
Quando de pronto a Ninfa, de amorosa,
Surge. E, com os lábios grossos aplicados
À frauta, um monstro vê cantando. Espreita...
Foge... E ao fugir com os passos apressados:
« Ah! que tão doce música que escuto
Não coubesse a uma boca mais bem feita
Que a boca de um gigante horrendo e bruto! »