Sonetos e Poemas
IX
Titânia
Titânia, ao lado o rei que os elfos manda, assoma
Na floresta encantada, à luz da lua. — « Abri-vos,
Ramos verdes! de flor de penetrante aroma,
Móveis, arcuais festões, vendo-a passar, cobri-vos!
Em alas, troncos mil de viridente coma,
Onde em fofo aranhol de abrocadados crivos
Brilha o orvalho que a luz das finas pedras toma...
Eis Titânia! de pé, meus válidos cativos! »
Tal a voz de Oberon vai proclamando, e em cheio
Da trompa, que da cinta ele suspende e emboca,
Esfuzia, e desperta o grande bosque, em meio
Da noite; enquanto a lua enorme esplende, e a gruta
Longe as letras do canto apaixonado avoca,
Abre o ouvido de pedra, e atentamente escuta.