Sonetos e Poemas
XIII
Lendo os antigos
A Alberto Franco
Vamos reler Teócrito, senhora,
Ou, se lhe apraz, de Teos o citaredo;
Olhe a verdura aqui d'este arvoredo
À beira d'água... E o sol que desce agora.
Lécio, o pastor, n'esta colina mora,
Onde as cabras ordenha. Este silvedo
Retém de Umbrano à frauta a voz sonora,
Guarda este arbusto a Títiro o segredo.
Esta água... Olhe, porém, como é tão pura
Esta água! O chão de nítidas areias
Plano, igualado, límpido fulgura;
E a onda é tão clara que, entreabrindo o louro
Cabelo, em grupo as trêmulas sereias
Vêm-se lá em baixo n'este fundo de ouro.