Sonetos e Poemas
XXVI
Vaso chinês
À Exma. Sra. D. Aglae P. de Lima
Estranho mimo aquele vaso! Vi-o,
Casualmente, uma vez, de um perfumado
Contador sobre o mármor luzidio,
Entre um leque e o começo de um bordado.
Fino artista chinês, enamorado,
N'ele pusera o coração doentio
Em rubras flores de um sutil lavrado,
Na tinta ardente de um calor sombrio.
Mas, talvez por contraste à desventura,
Lá se achava de um velho mandarim,
Posta em relevo, a singular figura;
Que arte em pintá-la! a gente acaso vendo-a,
Sentia um bem estar com aquele chim
De olhos cortados em feição de amêndoa.