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Sonetos e Poemas

XXV

Vaso grego

À Exma. Sra. D. Clarinda P. de Lima
Esta de áureos relevos, trabalhada
De divas mãos, brilhante copa, um dia
Já de servir aos deuses agastada,
Vinda do Olimpo, a um novo deus servia.
Era o poeta de Teos que a suspendia
Então, e ora repleta ora esvasada
A taça amiga aos dedos seus tinia,
Toda de roxas pétalas colmada.
Depois... Mas o lavor da taça admira,
Toca-a, e do ouvido aproximando-a, às bordas
Finas hás de lhe ouvir, suave e doce,
Ignota voz, qual se da antiga lira
Fosse a encantada música das cordas,
Qual se essa voz de Anacreonte fosse.

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