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Sonetos e Poemas

XVIII

Vox rerum

A Anastacio Vianna
Por toda a noite, inquietas despertando
Da lua ao beijo de ouro iluminado,
No alto páramo azul, de lado a lado,
Andaram as estrelas perguntando:
— « Que há na Terra, lá embaixo?... Um tom magoado
Vem as esferas místicas entrando...
Trina que voz? que deus de enamorado
Vai da harpa curva os ecos derramando? »
Ingênuos astros! digam de uma em uma
As ondas do oceano, a face calma
Diga dos lagos, diga a flor, a espuma,
Diga o rochedo, a folha, a ventania,
E as palmeiras, abrindo palma a palma,
D'onde e por quem aquela voz se ouvia.

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