Versos e Rimas
Depois da morte
Da morte os mudos penetrais entrando,
(Ouvi a alguém que o meu pensar vertia)
Em que me hei de tornar, não me tornando
Mais à mesma existência e ao mesmo dia?
Seja pérola ou musgo, ai! miserando!
Árvore seja de ramagem fria,
Contanto que esse olhar que me alumia
Próximo o sinta, à minha dor falando.
Seja o ar que ela aspira; eterno a vê-la,
Todo a queimar-me na saudade ardente,
Tendo-a tão longe, seja a luz da estrela!
Mas meu desejo, meu maior desejo
É ser a água de um lago transparente
Para a sombra beber-lhe beijo a beijo...