Versos e Rimas
Paganismo
Lembra-me ainda: o bosque era tão verde, a areia
Tão fina, e em torno a voz das árvores. Ninguém.
Ninguém. E enquanto ao pé cantava uma sereia
N'água, n'água ambos nós cantávamos também.
Nós, descalços, com os pés da linfa sobre a veia,
Todo o rio, que o céu no vítreo olhar retém,
Corríamos, à luz de que se veste e arreia
O bosque, e a mais o amor levava-nos além.
E a água nos festejava os corpos e dizia:
— « Voai, nadai dentro em mim! quero o vosso calor!
A água eu sou do deserto, eternamente fria! »
E Hérmia, enquanto por cima a liana aberta em flor
C'roava-a, do rio azul nas duas mãos bebia
E dava-me a beber do rio azul do amor.