Kiriale
IV
Ossa Mea, IV
Oh lábios que sereis de lodo e poeira,
Que intangível desejo vos abate?
Que ânsia suprema, na hora derradeira,
Em silêncio vos livra esse combate?
Quereis falar, e quietos sois: na inteira
Mudez do coração que já não bate.
Por debaixo de vós ri-se a caveira,
Lábios que fostes flamas de escarlate.
Se frios como neve estais agora,
Com saudades de beijos que não destes,
Alegrai-vos na dor que vos descora.
Cerrai-vos para sempre em doce calma:
Que os beijos dados, e ainda os mais celestes,
Nunca deixam vestígios na nossa alma...