Kiriale
VI
Succubus
Às vezes, alta noite, ergo em meio da cama
O meu vulto de espectro, a alma em sangue, os cabelos
Hirtos, o torvo olhar como raso de lama,
Sob o tropel de um batalhão de pesadelos.
Pelo meu corpo todo uma Fúria de chama
Enrosca-se, prendendo-o em satânicos elos:
— Vai-te, Demônio encantador, Demônio ou Dama,
Loira Fidalga infiel dos infernais Castelos!
Como um danado em raiva horrenda, clamo e rujo:
Hausto por hausto aspiro um ar de enxofre: tento
Erguer a voz, e como um réptil escabujo.
— Quem quer que sejas, vai-te, oh tu que assim me assombras!
Acordo: o céu, lá fora, abre o olhar sonolento,
Cheio de compuncção dos luares e das sombras.