Kiriale
VII
Serpes
Tantas serpentes vi pelos meus calcanhares
Em rolos, e tal era a fúria dos seus botes,
E tantas rans coaxando, e as vozes familiares
De outros muitos répteis a pular aos pinotes:
Tantos monstros, que emfim os meus rudes olhares
(Dizem que os Anjos têm os mais excelsos dotes.)
Tiveram de rezar à sombra dos altares,
Suplicando a verdade à voz dos sacerdotes.
Eis-me esperando aqui os meus votos supremos:
Terão a treva ou a luz, o Inferno ou o Paraíso,
Os pobres olhos que não mais serão blasfemos?
Como é bom esperar a longínqua promessa
Que no dia final do tremendo Juizo
Há de ser tão maior por maior que se peça!