Sobre esta tradução
O poema. Beowulf é o mais longo e o maior dos poemas do inglês antigo: 3.182 versos (3.184 na numeração da edição usada aqui), de autor desconhecido, composto na Inglaterra anglo-saxã entre o século VIII e o começo do XI e conservado num só manuscrito, copiado por volta do ano 1000 (Londres, British Library, Cotton Vitellius A.xv), que o incêndio da biblioteca Cotton, em 1731, chamuscou nas bordas. A ação se passa na Escandinávia do século VI, entre dinamarqueses, geatas e suecos; o poeta é cristão e conta a vida de heróis pagãos. Beowulf atravessa o mar para livrar o salão Heorot, do rei Hrothgar, de Grendel, o monstro da linhagem de Caim, e depois da mãe dele; cinquenta anos mais tarde, rei dos geatas, enfrenta o dragão que guarda um tesouro e morre na vitória.
O texto. A tradução segue a edição de James A. Harrison e Robert Sharp (4.ª edição, Boston, 1894), feita sobre a de Moritz Heyne, na transcrição revista do Projeto Gutenberg. A divisão em 43 seções e os títulos delas (aqui traduzidos) são dos editores; o manuscrito numera as seções, mas não lhes dá título. Onde o manuscrito queimado perdeu letras ou palavras, a edição e a tradução marcam a lacuna com pontos, sem completá-la. O volume de Harrison e Sharp traz em apêndice o fragmento de Finnsburh, que conta a luta de que o poeta de Beowulf canta o desfecho nos cantos XVII e XVIII; ele vem aqui também, no fim.
A tradução. Verso a verso, do inglês antigo, em português do Brasil. O verso do Beowulf não tem rima nem conta sílabas: cada verso tem duas metades separadas por uma pausa, cada metade dois tempos fortes, e a aliteração (palavras que começam pelo mesmo som) amarra as duas metades. A tradução guarda essa medida, como o método do Versificador manda guardar a do original: a pausa no meio do verso, os dois tempos de cada metade e, sempre que o sentido deixa, a aliteração. Guarda também o que faz o estilo do poema: as aposições (o mesmo herói nomeado duas e três vezes no mesmo fôlego), os compostos e as metáforas condensadas, os kennings (o mar é o «caminho da baleia», o corpo, a «casa dos ossos»), e as fórmulas, traduzidas sempre do mesmo modo. Os nomes ficam na forma do inglês antigo, sem os acentos de quantidade, com th no lugar de þ e ð.
O original ao lado. O botão «Inglês antigo», no alto da página de leitura, mostra o texto da edição junto da tradução, verso com verso.