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Só

Ó Virgens que passais, ao Sol-poente,

Ó Virgens que passais, ao Sol-poente,
Pelas estradas ermas, a cantar!
Eu quero ouvir uma canção ardente,
Que me transporte ao meu perdido Lar.
Cantai-me, n'essa voz omnipotente,
O Sol que tomba, aureolando o Mar,
A fartura da seara reluzente,
O vinho, a Graça, a formosura, o luar!
Cantai! cantai as límpidas cantigas!
Das ruínas do meu Lar desaterrai
Todas aquelas ilusões antigas
Que eu vi morrer n'um sonho, como um ai
Ó suaves e frescas raparigas,
Adormecei-me n'essa voz... Cantai!
Porto, 1886

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